segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Água de Janeiro


A pequena falante – Cala a boca Malu!

Uns criticam, outros admiram. Neste mundo de faces, fases e momentos, comigo não havia de ser diferente.  Desde que me conheço por “gente” que falo pelos cotovelos. Como minha avó sempre me dizia quando criança: - “menina, tua mãe lhe deu água de janeiro”. Enfatizo que ela não me deu só água de janeiro, mas talvez do ano todo. Apesar disto ser um detalhe meu, uma característica única... Tive algumas lições diante desta minha “tagarelice” que me fez aprender a “escutar”. As pessoas são carentes, por mais que não se deixe notar. São carentes de um salário multiplicado, ou apenas uma vida instável menos estressante. São carentes de atenção, de dedicação, de respeito. São carentes de um fim de semana inesquecível, e de um sexo incomum. São carentes de verdadeira amizade, companheirismo, compaixão. São carentes delas mesma e fazem com que a vida careça ainda mais.  Pensando com os meus velhos e formidáveis “botões”, resolvi fazer uma mudança. Quem sabe uma faxina interior resolva meu caso. Aprendi que o conhecimento é uma virtude, e que nos leva para lugares inexplicáveis.  Que falar menos e ouvir mais... Pode ser interessante, ou até mesmo entediante para mim que estou sendo o ouvinte. Um bom assunto, uma pausa para escutar, e o conteúdo, fazem com que os teus lábios e a tua boca produzam um som radiante, com que o escutar seja musica aos ouvidos. Mas pergunto-me, porque falo tanto? Ou porque me criticam por ser assim? Talvez seja um reflexo da minha infância. Desde criança tive de aprender a enfrentar o mundo sozinho. Tive que aprender a fazer o laço do meu sapatinho para poder ir para escola sem tropeçar no cadarço. Tive que aprender que a ausência do meu pai não poderia abalar meu crescimento. Porque minha tia-mãe sempre me dizia: - “não esquece que Eu sou tua Mãe e o teu Pai”. Então cresci acreditando nisto, mesmo sabendo que esta não era a verdade do meu DNA. Não era a real e verdadeira distancia que abalaria meus sentimentos e o meu crescimento, apenas sentiria a sua falta e valorizá-lo-ia ainda mais. Aprendi a amar minha Tia como se fosse minha Mãe e aprendi a chamá-la de mãe. Porque infelizmente a vida da minha verdadeira Mãe não era tão fácil. Ela teve que optar por reconstruir a sua vida após a separação com o meu Pai. E não apenas por ser sua filha, mas admiro e valorizo muito a minha Mãe. Uma mulher batalhadora que abriu mão da sua primogênita por um determinado tempo, apenas para garantir e evitar o seu futuro sofrimento.




E foi o que ocorreu. Meus pais tinham um relacionamento difícil um com o outro. Brigavam como “Tom e Jerry”, era constante. Minha mãe era loucamente apaixonada por ele. O primeiro homem a gente nunca esquece! Vale salientar que sentir muita sua falta, e que me fez ser obrigada a amadurecer antes do tempo que seria lógico para mim. A minha avó junto com a minha Tia-Mãe, foram as pessoas mais importantes da minha vida. Elas que me ensinaram boa parte do que sei, e do que sou. Mas a minha Mãe mesmo distante me fez ser assim. A mulher de Hoje. Ela sempre esteve comigo mesmo distante. Então, cresci convivendo com estas ausências (mãe e pai). Os personagens principais da minha historia estavam presentes em meu coração, mas ausentes fisicamente. E cá entre nós: Toda criança necessita crescer com os seus Pais, ou pelo menos estar próximo a eles nem que seja no Natal. Uma data tão significativa, mas que nunca foi realizada por completo dentro de mim. Há mais de 16 anos que não vejo o meu Pai, que não tenho sequer noção de como Ele esteja quem Seja hoje, e o que Acha ou Pensa sobre meu respeito. Um Homem que sou completamente apaixonada. A pessoa que me trouxe ao mundo com tanto amor, e que hoje deixa este vazio incomensurável dentro de mim. Não porque queira, mas porque não me procura. Então ainda me pergunto: “Será talvez um marco da minha infância que me faça ser assim?”. Talvez seja falante demais, porque no fundo, lá no fundo do meu mais profundo intimo, guardo um passado recheado de ausência de palavras tão especiais. Confesso que o dia mais marcante da minha vida será o dia em que encontrarei o meu Pai, e olharei para os seus olhos cansados, e tão lembrados serão, e falarei sem medo o quanto Eu o amo, e não temo amá-lo.  Porque jamais guardei sequer algum desprezo por Ele, ou pela ausência Deles. Minha Mãe apesar de ser uma pessoa maravilhosa, me ensinou com a dor.




Porque nem sempre aprendemos com o amor... E comigo foi assim!




Lembro-me como se fosse ontem, o dia em que estávamos indo a uma casa de praia, e havia aprendido uma palavra de baixo escalão. Resumindo: falei um baita de um palavrão que era novo pra mim. Mas ora bolas, tinha apenas sete anos. Pouco falava português, e mal entendia o sentido daquela palavra. Porra! Da minha boca saiu... Suave, nítido e sem intenção alguma. O que me ocorreu? Queiram saber. Tive a faca na ponta da língua, e se repetisse aquela palavra mais uma vez, bom... Já não cantaria mais nem o hino nacional, ou sequer falaria aquela palavra mais uma vez. Como reagir? Imagina uma criança que fala um palavrão sem saber o que é e diretamente é intimidada e amedrontada deste jeito? Cair aos berros. As lagrimas pareciam gotículas de chuva. E jamais pronunciei qualquer palavra deste tipo próxima a minha Mãe. E apesar desta lembrança não trazer boas recordações, mas, me trouxe uma lição, que tomo como experiência. Pai, Mãe, e as pessoas que estão ao nosso redor que desejam o nosso bem, lutam pelo nosso futuro, e pela qualidade de educação. Então aprendi que minha Mãe não era obrigada a ouvir palavras sujas que saiam de minha boca. Serviu de lição, apesar do medo de ficar sem língua. Minha mãe sabe assustar uma criança quando quer. Não duvido!




Recordo-me também de um fato que ocorreu também na época de escola. Conseqüência de mais um palavrão que voluntariamente ousou sair justamente da minha boca. Um belo: “Filho da P.”, que foi recebido com gargarejo de sabão líquido. Mais uma dose de palavrão, estaria contando estrelas no céu. Minha mãe sempre foi rígida, e concordo plenamente com tudo que ela me fez. Porque talvez se Ela não tivesse posto tais lições, tais regras... Talvez hoje Eu jamais fosse quem realmente Eu Sou, e não teria a educação que hoje Tenho. Porque aprendi a ter policiamento sobre mim mesmo. A falar para chegar até em Roma. Como diz o velho ditado.  E com este meu jeito “desenrolado”, conquistei prêmios e promoções. Conquistei trabalhos, e pessoas. Conquistei sonhos, e descobrir novos mundos. Apesar de falar demais, a vida alheia não é meu ponto forte. Interesso-me mais pelo que acontece comigo, do que qualquer outra coisa. Quando estou participando seja de um trabalho, ou de uma noitada num bar com os amigos, quando estou ali, dôo o melhor de mim. E foi assim que conquistei meu primeiro trabalho. Entre pessoas que tinham idade para ser Mãe, Pai, e até Avós. Pessoas de um grau de experiência muito mais elevado que o meu. Mas aprender faz parte da vida de todo ser humano. Raros aqueles que ganham o mundo de cima. Muitos que chegaram até onde estão hoje, foram humildes um dia. Foram pessoas simples, e trabalhadoras. Pessoas que não tiveram vergonha ou timidez para aprender, mesmo errando, continuaram. São os guerreiros que ganham as grandes batalhas, não os mais fortes. Assim foi comigo na Vivo, no TJ, e em outros trabalhos onde estive. Poderia usar esta dádiva para ser uma locutora, jornalista, narradora de futebol... Enfim, poderia trabalhar com comunicação. Minha arte é lhe dar com o publico. Entender as pessoas conhecê-las. Das mais humildes, a mais seca das pessoas. Continuo aprendendo... E falando pelos cotovelos. Mas na hora de ouvir, no momento de calar e de liderar um grupo, e tomar posse... Não brinco. Precisamos colocar pra fora os nossos bichos, nossos fantasmas, nossos desejos, nossas palavras. Jesus disse: Não só de Pão viverá o homem, mas também de palavras. Então, a fé é mais um motivo para ser assim. Talvez o meu defeito seja que falo muito no que penso, mas esqueço de preparar o que falo. Já que as pessoas de hoje estão acostumadas com frases feitas, não? Bom, por hoje é só. Que minhas palavras possam acrescentar, ou transmitir algo especial e bom na tua vida. Fiquem todos com Deus.

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